15.1.12

sheer

Nasci ali, à beira mar, à deriva.

Os dias se passaram e, de repente, me encontrei ali, sem saber pra onde ir. Os propósitos, os objetivos, as certezas... Tudo sumira. O conquistado, o reconquistado, tudo se foi com a baixa da maré. Meu apoio se tornara meu próprio ego, minha instabilidade me consumira por inteira, minhas palavras só faziam sentido no quebrar das ondas.

Com o sol acima da cabeça, o pensar se torna mais cansativo. Sem horário, o caminhar na areia se torna agradável. Como se eu não soubesse o que tinha de fazer. Não, esquecera de tudo. Largara tudo.

A tarde caía enquanto do vai e vem das marolas me deixaram com ânsia. Mas ânsia de voltar, de desejar, de consumir e deixar ser consumida. De me esquecer e viver por outro alguém. Deixar-me ser levada pela correnteza, ser despreocupada e recuperar o que ficou apenas no passado. Me perder em palavras e escrever o que viesse à mente, sem ordem, sem obrigação. Puro prazer. Viver de prazer, por prazer, com prazer.

Prazer, renasci ali, à beira mar, com os pés no chão e, na cabeça, sonhos inesgotáveis.