“Come and see it for yourself” é o que eu sempre ouvi em relação a
lugares que eu jamais poderia deixar de visitar. Memórias que eu deveria ter,
não importa o tempo que eu tivesse disponível, se estivesse sozinha ou acompanhada,
com malas ou somente bagagem de mão.
Só que esqueceram de um pequeno detalhe. Não são apenas lugares que
todos deveriam conhecer, ir, visitar, ter memória. Esse see it for yourself
deveria ser usado universalmente. Na vida. Exato! — na vida inteira, durante a
vida inteira.
Novembro, para os universitários de plantão (e pro resto do universo
também), significa vida ou morte. É aquele bendito mês que amaldiçoamos todos
os dias, quando parecem acontecer 5 eventos por dia — nos quais, obviamente, sua
presença é requerida, quando não obrigatória —, quando as provas se tornam
incontáveis, inesgotáveis, infindáveis; quando o tempo não parece colaborar por
simplesmente escorrer das mãos como água; quando colocamos os pingos nos is,
pretendendo terminar todos os afazeres o quanto antes; e todo o sono perdido,
ah!, esse jamais recuperaremos.
Novembro é também, e justamente, um desses momentos que você, realmente,
precisa vir e ver você mesmo. Porém, mais do que isso, é parar e
observar você mesmo.
Explico.
1.
“Você está feliz?” foi a primeira coisa que me perguntaram quando
cheguei num evento (exato, aqueles obrigatórios que, quando o convite chega, o
nariz torce e o cansaço bate porque poxa.. eu poderia dormir!). Aquela pergunta
me pegou de surpresa. Eu parei. Parei.
Algo incrível estava por acontecer, e eu estava lá para ver com meus
próprios olhos. Em dois dias — cansativos —, embora sem ter desligado de toda a
loucura que Novembro traz consigo, de brinde, eu parei, e observei. Mais do que
isso, eu me observei.
Do momento em que sentei em uma das centenas de cadeiras igualmente
desconfortáveis até o momento em que eu aplaudi de pé as pessoas responsáveis
por tornar possível o que se tornou, agora, nada mais que uma bela memória, eu
permaneci ciente de tudo que me cerca, das pessoas que me rodeiam, do lugar
onde estou, de todas as atividades que desenvolvo, de todo o conhecimento que
possuo, de todas as oportunidades que já tive, tenho e as que já optei.
2.
Eu sempre tive um apreço (quase) imensurável quando se trata do meu
aniversário. E sempre imaginei que era algo cultural, familiar. Digo, uma das
grandes felicidades de se fazer parte da minha família é que tudo pode ser um
motivo de festa, de uma boa desculpa para juntar amigos, familiares e boas
companhias para celebrar seja-lá-o-que-for. Exatamente por isso, sempre
festejei o meu dia com muita alegria, além de adiantar as expectativas em torno
de mais uma primavera com bastante antecedência.
Mais recentemente, a data — coincidentemente também em novembro — me
conscientizou de um sentimento bem intrínseco em mim. Toda vez que Novembro
aparece logo ali, na próxima página do calendário, esse sentimento de self
awareness sempre se reforça, e acabo me perguntando, em suma, se estou
feliz.
É quase uma daquelas tradições de ano novo. Pular 7 ondas, 10 semestre
de romã… O que estou fazendo, como o ano foi, por que estou aonde estou? É um
questionário extenso, e muito reflexivo.
(aonde tudo se encontra)
E isso tudo foi novamente despertado por aquele “você está feliz?”. Foi
o aha moment que eu precisava para simplesmente parar e observar o
momento que estou vivendo. Fazer o que me deixa bem, conviver com pessoas
incríveis que me fazem bem (e inspiram constantemente), fazer planos incríveis
para o futuro incrível que está aí, logo à frente.
Mais que um evento de inovação social, espero que na próxima edição
coloquem na descrição um “tapa na cara pra ver o quanto você também vale
a pena”. E, mais do que só um evento, a maior memória que ficará é largar mão de
esperar esses tapas na cara que a vida nos dá para nos darmos conta do quão bem
fazemos uns aos outros. Que, mais do que todas as primaveras, o que importa são
as pessoas que estiveram presentes nelas.
Que, até o próximo novembro, paremos mais, observemos mais, ainda que a
nós mesmos. Que consigamos deixar a correria dos novembros, marços, junhos e
agostos de todos os anos, de lado, e façamos fazer toda essa correria valer a
pena — e reconhecer que sim, vale a pena. Que não dependamos de eventos, tapas na
cara ou qualquer coisa que seja para conseguirmos nos valorizar. Parar.
Observar. Sentir. Que fiquemos mais orgulhosos de nós. Que possamos,
constantemente, come and see it for yourself, em todas as suas nuances,
interpretações e esferas.
E você, também está feliz?