10.5.15

rascunho #086


A última vez que ele me levou pra cama foi quando eu chorei. Quem sabe, foi ali que eu realmente senti o que eu estava tentando esconder de mim mesma — as coisas não estavam bem. 
Mais que isso, eu senti a dor latejar internamente sabendo que eu tinha perdido quem era o amor da minha vida. Especifiquei os pensamentos: eu não confiava mais nele. E isso me pegou como um tiro nas costas — minha confiança, meu amor próprio tinha renascido assim que ele entrara na minha vida. 

Quando ele apareceu entre a multidão pela primeira vez, tudo que eu conseguia pensar era em cenas dos meus filmes preferidos. Sabe, quando a mocinha ou o mocinho do casal central da trama inteira surge no meio da multidão e os olhares deles se encontram pela primeira vez ou logo após a tragédia da história inteira e o resto do mundo fica blurred e o mundo parece passar em câmera lenta?

Então. Mais que isso, o início da nossa história foi muito, mas muito baseado em cenas de cinema. Exemplo disso? Nosso primeiro beijo foi no meio de um evento na rua, sob uma chuva torrencial, numa tarde abafada de final de verão. Logo depois, ele partiu.



O que me faz rir hoje é a sensação de estar na minha cidade natal novamente, apenas torcendo que eu não cruze com ele; ou se o fizer, eu não o aviste, e ele não venha falar comigo, como foi a última vez. E a ironia se encontra no ponto em que percebo que estarei por, no mínimo, mais um ano com ele presente em minha vida. Isn’t it ironic?