21.5.15

three dozen roses

Você não deveria estar na minha vida. Você não está. Mas você é. 
Ser e estar tornaram-se tão diferentes depois de tantas primaveras na história. São dois verbos que podem fazer tão bem, e amedrontar tanto ao mesmo tempo. Fazer amor e odiar. Cativar e esquecer. Ser e estar. 

Enquanto todas as músicas - sem exceção - que tocam como trilha sonora da minha rotina, narram retornos amorosos, perdões inflamados, rimas ocultas.. o que eu escrevo agora são novas rimas, que nem sequer rimam e elas ficam tão belas quando em uníssono. 
Meu coração tem batido em novos ritmos e isso o faz tão bem. Mas, ao mesmo tempo, a sensação de sufocamento é tão grande que escancaro minha janela ao final do dia somente para ter uma maior entrada de ar puro no ambiente no qual habito. Mais além, minha vontade de chorar é tão grande que nada daqui de dentro sai e, por fim, tudo que me resta é a companhia do cigarro e bons copos de cerveja. 
Minha vontade era, infantilmente, de tirar de todas as formas de contato possíveis e imagináveis, desligar-me totalmente, sem nem olhar pra trás, como nunca fiz. E aqui estou, ainda sem olhar sobre o ombro sabendo que ali encontraria um olhar de volta; ainda esperando pela vida me convencer que terá volta. 
Se eu pudesse estar mais magoada, mais machucada e mais decepcionada… eu duvidaria se acontecera de fato. Mais que isso, encontrar-te e não mais te reconhecer é o que mais dói. O que mais cala. O que mais repugna. 

Mas cá estamos e, de fato, a vida já contentou-me mais que suficiente ao propiciar capítulos novos, revigorantes histórias que apareceram no meio do caminho. E cá estamos, onde tudo que eu queria era que você simplesmente não soubesse mais de mim. Porque é isso que eu busco, e quero. Porque no momento que eu disse que não olharia pra trás, eu fiz-me uma promessa. 

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Essa foi a primeira vez que eu me vi, novamente, vagando sozinha pela cidade grande, carregando nada mais que um par de mudas de roupa nas costas. A sensação foi assustadoramente reconfortante. 
O mais engraçado foi dar-me conta que tudo em que eu pensava, pelos primeiros minutos, era o que teria acontecido caso tivéssemos visitado cidades que significaram tanto pra mim, e dividir na primeira pessoa do plural todas as memórias mais preciosas da formação do meu ser. O mais engraçado foi ver o meu egoísmo em felicitar-me que sim, de fato, as memórias estavam sã e salvas comigo, e somente comigo. 

E é isso que importa. Eu, aqui, agora. Entre a multidão que vai e vem todos os dias, tornando os encontros e despedidas diários. Mais que isso, acima de tudo, escrevendo histórias em primeira pessoa. 

Ainda que me doa falar, escrever e pensar as mais diversas coisas, existem alguns detalhes que me fazem crer que tudo está onde tudo deveria estar. E, mais ainda, assim permanecer.